sábado, 8 de dezembro de 2007

Maratona HQ - Devir Livraria/SP - 30/11 a 02/12 de 2007

Desta vez, decidi encher o saco de outra pessoa em São Paulo. Dei uma folga para o Cadu e para o seu pai e me "hospedei" na casa do Daniel Esteves. O "hospedei" ficou entre aspas porque nós praticamente nem paramos na casa dele, já que o evento da Devir ia das 17 horas da sexta até as 19 horas do Domingo, sem parar.
Cheguei no aeroporto Congonhas na hora do almoço. O Daniel me apanhou lá, largamos minhas coisas na casa dele e acabei conhecendo o estúdio onde ele dá aula, o HQ em Foco. Por onde a gente andava, só se via gibi, tanto na casa quanto no trabalho do dito cujo. Óbvio.
Lá pelas 19 horas aparecemos no evento. Lá estavam o Will, o Edu Mendes e o Mário. Conversamos um pouco, demos umas olhadas no que tinha de bom para vender, mas logo saímos para encontrar uns amigos do Daniel e encher a cara (na realidade, era só uma amiga). O Cadu ficou lá de madrugada e precisava que alguém fosse lá às 5 da manhã substituí-lo. Sobrou pra mim.
4 da matina, a gente voltando do bar, o Daniel me deixou lá na Devir e voltou pra casa, já que ele daria aula no sábado de manhã. Agora, imaginem meu estado... aquela semana tinha sido foda. De terça para quarta não dormi, porque tinha que estar no posto da Agência do Trabalhador às 5:30h da manhã (Sim, seguro-desemprego, coisa de vagabundo). Apenas tirei um cochilo pela manhã. De quarta pra quinta, também dormi quase nada, pois saí cedo com minha namorada para resolver alguns assuntos. E de quinta pra sexta, mesma coisa, já que eu tinha que estar cedo no aeroporto. Lá estava eu, com poucas horas de sono, sozinho num evento nerd. Não tive dúvidas, tirei as coisas do banco que tinha lá e dormi (ou o mais próximo que se pudesse fazer naquela situação).
Acordei várias vezes, mas levantei em definitivo pouco antes do Jozz chegar, por volta das oito horas da manhã. O pessoal da Devir colocou um filme lá, um tal de "Viagem Maldita", ruim até dizer chega. Pelo menos, deu pra ficar acordado mais um tempo. Por volta das dez, o Daniel me ligou e falou para eu encontrá-lo no colégio onde ele estava dando aula.
Fui até lá que nem um zumbi. Mal cheguei e me encostei num banco pra dormir mais um pouco. Acabei indo dormir no carro, mesmo.
Finalmente, voltamos para a casa dele, almoçamos e dormimos, cerca de 3 horas, antes de voltar para o evento mais uma vez.
No sábado estava mais legal... mais movimentado, fiz algumas vendas bacanas... não dá pra reclamar. Vira e mexe, fugíamos até a esquina para tomar umas. Acabei participando da mesa redonda com o Paulo Ramos (Blog dos Quadrinhos) junto com Daniel, Cadu, Marcos e o Gil Tokio. Também ganhei uns brindes dum quiz de quadrinhos (detalhe: sem estar participando) e de madrugada, teve o pôquer, apostando quadrinhos.
Eu, Cadu, Daniel e Gil, representando o Quarto Mundo, rapamos os gibis de lá. O porta-malas do Daniel voltou forrado. Isso já era manhã de Domingo.
Ainda deu tempo de tirar uma soneca antes do Daniel me deixar no Tietê, mas só desmaiei mesmo quando cheguei em casa. Só então consegui um merecido descanso!
















































Fotos por Gil Tokio

domingo, 25 de novembro de 2007

5° FIQ - Serraria Souza Pinto / BH - 16 a 21 de Outubro de 2007

Apesar do evento ter começado na terça, só pude chegar na quarta-feira, hora do almoço. Deixei as bagagens na pousada e no caminho para o evento logo encontrei o Tiago, um dos membros do já consolidado QUARTO MUNDO. Almoçamos e voltamos ao evento.
À noite, fomos conhecer um restaurante chamado "La Greppia", que era muito bom... massas para comer à vontade. Até então estavam presentes, além de mim, o Cadu Simões, Will, Marcos Venceslau e o já mencionado Tiago. Tivemos o prazer de ter à mesa o Cassius Madauar, da Pixel, o Jaum, da Totem (companheiro de estande) e outras figuras interessantes. Foi uma noite divertida.
Na quinta feira tivemos a chegada do Daniel Esteves e de meu conterrâneo, Plínio "Dino" Filho. O Jozz também não demorou a chegar.









Da esquerda pra direita: Cadu, Marcos, Daniel (sentado), Will, jaum, Sam Hart, Jozz, Tiago e Plínio.

Quinta já começou a dar um movimento maior e tínhamos as festas de lançamento da Grafitti e da Tarja Preta. Ambas praticamente no mesmo horário e em lugares diferentes, o que não nos impediu de ir em ambas, mesmo debaixo de chuva. Era a gente chegar que já animava o ambiente todo.

Sexta-feira o movimento estava ainda maior e fizemos o lançamento do Golem (Sam Hart) e Nanquim Descartável (Daniel Esteves) seguido por aqueles que vocês já conhecem, Quadrinhópole # 05 e Dinossauro do Amazonas.















Eu no lugar do Sam enquanto ele ainda não chegava.















Grande Bira Dantas, o homem que desenha e toca gaita ao mesmo tempo.















Eu e Babs, a menina que cuidava dos estandes e nos deu a maior força.

Sábado chegou o restante da galera do Quarto Mundo (e por "restante", entenda-se umas 10 pessoas). Dentre elas, o pessoal da Jukebox, que teve seu lançamento no mesmo dia.
















































Momento de descanso.














Panorama geral da Serraria, onde se deu o evento.
Depois de um movimento incrível no sábado e de vermos figuras famosas como Berardi, Ed Berganza, Eduardo Riso, dentre outros, foi o momento de nos prepararmos para a balada!














Nosso quarto na pousada. Não estava tão desarrumado quanto parece.
Sábado à noite tivemos uma confraternização com todo o pessoal do evento. Foi num lugar chamado Confraria, e estava todo mundo lá... Berardi, Berganza, Riso, os gêmeos, Wellington Srbek, Bira Dantas, José Aguiar... gente que não acabava mais. O clima estava meio desanimador... até a gente chegar e mudar totalmente o panorama.


































































Depois da intensa festança, domingo foi o dia de descansar. Dormi até as dez (e isso era tarde, considerando que estava acordando todo dia às oito) e fui para o evento organizar as coisas para ir embora, já que logo mais à tarde, iria embora.















Aqui dá pra ter uma idéia melhor do nosso estande, que ficou junto com os independentes de BH. Que evolução desde a Fest Comix do ano passado!















Dino e Bira














Bruno, nosso companheiro de pousada e de baladas, Daniel Esteves e eu. Todos de ressaca.














Todo o pessoal do Quarto Mundo, além dos mais chegados, podem ser vistos nessa fotomontagem de Gil Tokio. Bacana, né?

Crédito das fotos: Daniel Esteves e Gil Tokio.

Lançamento da Quinta Edição - Gibiteca Curitiba - 09/10/2007

No segundo dia das comemorações de 25 Anos da Gibiteca, tivemos o lançamento conjunto da Quadrinhópole # 05 e do Dinossauro do Amazonas. Confiram as fotos, novamente cortesia da Mari:











I Festa do Quadrinho Independente - Gibiteca Curitiba - 11/08/2007

O lançamento da quarta edição se deu exatamente um mês depois do HQ MIX. Tivemos uma verdadeira feira de quadrinhos independentes, com duas barracas lotadas de títulos. Notou-se uma rápida evolução desde o ano passado, crescendo gradualmente ao passar pelo Ângelo Agostini e o HQ MIX. Também contamos com as palestras de Mário Barroso, Liber, a minha com o Cadu, e a mesa redonda com Antônio Éder, José Aguiar e Cláudio Seto, além da apresentação de Ticlau. A seguir vão algumas fotos, cortesia da Maristela, da Gibiteca:











quarta-feira, 25 de julho de 2007

HQ MIX - Outras fotos

Café da Manhã no Bar Simões, ponto de encontro dos super-heróis de Osasco City!














































Isso é um trabalho para a Quadrinhópole!!!


segunda-feira, 16 de julho de 2007

Evento de Premiação do 19o HQ MIX - Sesc Pompéia - 11/07/2007

Ir para São Paulo é sempre uma aventura. Desta vez, não foi exceção. Cheguei na capital no dia 11, por volta das 6 horas da manhã. Eu novamente iria ficar na casa do meu amigo Cadu Simões, que morava no Farwest de Osasco City. Ou seja, eu tinha mais meio-dia de viagem pela frente.É, bem... eu posso ser o último habitante da parte leste de Curitiba, mas o Cadu consegue se esconder mais do que eu! Ele é o último habitante do farwest DO FARWEST DE OSASCO! Depois de pegar dois ônibus, metrô, atravessar um rio a nado e seguir pela trilha da floresta, eu finalmente estava no trem com destino ao farwest do farwest de... ah, vcs já entenderam. Quando as flechas começaram a atingir o trem e o maquinista gritou "todos pro chão!!!", eu sabia que estava perto. Mas o Cadu bem que poderia ter avisado que os índios agora estão usando metralhadoras, eu teria ido mais preparado. De qualquer forma, consegui me esgueirar pelas trincheiras e só perdi metade de uma perna no caminho. O que sobrou do dia, tiramos para descansar, até que a Roberta, da Garagem Hermética, veio nos apanhar de carro para irmos todos ao Sesc Pompéia, onde realizar-se-ia o evento de premiação do HQ MIX. Estávamos levando praticamente uma editora inteira no carro dela! Lá chegando, encontramos rostos conhecidos e logo tratamos de armar as mesas e expositores.













Quadrinhópole em Destaque (Fonte: http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/)
(E a Roberta desfocada, no fundo)


O pessoal foi chegando e as vendas começaram! Encontrei o Samuel Bono, o Marcos Wencelau, o Will (do subterrâneo), o Otoniel e o Wolvey (do Encantarias), um tal de Tiago, não sei de onde é, sei que é chato pra carái. Dizem que o evento foi um dos melhores dos últimos anos. Infelizmente não pude assistir, mas a cobertura completa você pode conferir no blog dos quadrinhos (http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/). Lá pelas tantas da noite, finalmente conseguimos expulsar o pessoal da Devir e tomamos todo o território! A Aliança Rebelde venceu e o Império foi derrotado! Como sempre, fomos os primeiros a chegar e os últimos a sair. Com certeza, valeu a pena todo o esforço!
Como eu iria ficar ainda para o Fanzine Expo, tirei a quinta e sexta de folga.


















A Mesa dos Independentes (Fonte: http://sociosltda.blogspot.com/)













Eu de prontidão e o Cadu vibrando com alguma venda. (Fonte: http://sociosltda.blogspot.com/)


Na quinta fui conhecer a USP já que o Cadu tinha coisas para resolver por lá. E na sexta acabei conhecendo o centro de Osasco City. Sábado acordamos cedo e fizemos todo o trajeto de volta daquele que eu fiz na vinda, já que o local do Anime Friends (UniSantana) é do lado do Terminal Tietê. Desta vez uma das balas me pegou de raspão. Só tive tempo de gritar "Pela tripas putrefatas e Asgotooh!!! É uma cilada, Bino!!!", mas a bala pegou na minha mochila e rasgou a alça. Como se já não bastasse eu estar carregando uma mala 4x4 e um expositor e o Cadu estar com uma outra que pesava 2 toneladas e outro expositor. E ainda por cima ele prefere ir pelos caminhos mais difíceis! Não contente em pegar escadas convencionais ao invés de rolantes ou elevadores, ele sobe e desce as mesmas escadas várias vezes! (Carregando tudo, é claro). Mas eu finalmente compreendi o porquê, caro leitor. Cadu Simões é muito mais inteligente do que eu ou você. Ele faz tudo isso porque sabe que, um dia, será recompensando no Valhalla dos Quadrinistas Independentes. Bem, finalmente chegamos no Fanzine Expo e montamos nossas coisas. O Harriot da Cão logo juntou-se a nós e ficamos os três roncando em nossas cadeiras pelo resto do dia. A única coisa boa nesse tipo de evento é ver a mulherada usando trajes ridículos que jamais usariam em outra ocasião, os quais proporcionam decotes / saias / apetrechos generosos. Afora isso, é um evento muito estranho, porque você começa a viajar mesmo sóbrio. Sim, tenho certeza de que não havia ingerido álcool, maconha, lsd ou crack, mas mesmo assim tinha horas que eu via lobos, dragões, jedis, gente do japão feudal e outros bichos que você sequer pode imaginar. Felizmente consegui trocar minha passagem, originalmente programada para a meia-noite, para as 18 horas, e cheguei em Curitiba ainda no mesmo dia. Ah... lar, doce lar.
Agradeço novamente ao Cadu Simões e ao seu pai pela hospedagem... espero não ter incomodado... muito!

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Até no sebo!

Eis que estava eu, em minha hora de almoço, dando uma passadela por um dos muitos sebos aqui do centro com um amigo meu. Ao vasculhar as raridades entre as revistas de quadrinhos, adivinhem só o que eu encontro!

Evento de Entrega do 23º Prêmio Ângelo Agostini - São Paulo - 10/02/2007

Mais um evento de quadrinhos em São Paulo. Mais uma jornada de aventuras nessa vida de quadrinhista independente.
Saí de Curitiba às 16:10, empolgado com a nova empreitada, apesar de ter esquecido que, da outra vez (Fest Comix) havia prometido a mim mesmo que jamais tornaria a pegar um ônibus convencional novamente em minha vida. Logo me lembrei do porquê da promessa ao ter de agüentar, no maior trecho da viagem, duas crianças fazendo a maior zona dentro do ônibus e o inconfundível cheiro de “asa” de um sujeito que insistia em passar pra lá e pra cá a todo instante. Quando ele passou por mim pela primeira vez eu rezei em todas as religiões possíveis: “Não sente ao meu lado, não sente ao meu lado, não sente ao meu lado, não sente ao meu lado...”. Graças a Deus ou alguma outra entidade que deveria estar de bom humor naquele instante, minhas preces foram atendidas e acabei não tendo nenhuma companhia impertinente ao meu lado pelo resto da viagem.
Muito bem. Cheguei no Tietê às 10 da noite. É impressionante como o ônibus demora mais pra chegar ao terminal rodoviário do que na própria São Paulo. Eu ainda formularei uma tese que explicará como São Paulo foi construída numa dobra do espaço-tempo. Ok, não vem ao caso. Encontrei meu grande amigo Cadu Simões naquela revistaria que tem lá no Tietê e que esqueci o nome. Quer lugar mais nerd pra marcar um encontro de quadrinistas no Tietê? Depois de dois metrôs e um trem, chegamos na famosa Osasco City, lar do super-herói mais sério de todos os tempos, criação do Cadu: o famigerado Homem-Grilo. O Cadu gentilmente ofereceu-me hospedagem de sexta para sábado (mentira, eu que me convidei pra dormir na casa dele) e tivemos um bate-papo divertido com o pai dele sobre os bons tempos do futebol lá em São Paulo. Histórias que certamente rendem bons quadrinhos, mas deixemos isso para outra ocasião.
No sábado pela manhã, dia 10 de fevereiro, partimos cedo até o SENAC da Lapa Scipião, chegando lá por volta das 11 da manhã, quase uma hora antes do evento começar, o que nos permitiu nos organizarmos com antecedência. Aproveito para agradecer ao Cleber e ao Worney pela atenção e pelo espaço que nos forneceram para colocar à venda nossas revistas. O Cadu é praticamente uma editora ambulante e tirou da bolsa não apenas seus exemplares do Garagem Hermética # 01 e # 02 (este último, recém saído do forno), mas também diversos fanzines e revistas independentes de cada canto do país. Acabamos improvisando uma mesa do tamanho daquela usada por Cristo na Última Ceia e partilhamos nosso “pão e vinho”... para cada um que chegava lá para vender seu exemplar independente, já arrumávamos um espaço para colocarem à venda ali na mesa. Teve até espaço para colocarmos os jornais do Bira Dantas e sua homenagem ao Ely Barbosa, além de outros tantos zines de cortesia e panfletos de divulgação que eram fornecidos ao público. O pessoal da Cão gentilmente forneceu sacos de amendoim a cada um que pegava um panfleto deles falando da revista. Se bem que tinha uns que pegava o amendoim sem ler o panfleto, mas tudo bem, não vem ao caso.
No final das contas, a mesa estava forrada de tudo quanto era tipo de publicação. Estava parecendo coisa de editora grande, coisa linda de se ver! E tínhamos até cadeiras para sentar e gaveta para separarmos o troco! Que evolução desde a Fest Comix, hein?
O povo logo foi chegando e as vendas começaram. E iam muito bem, obrigado. Tão logo as palestras começaram, me chamaram para comparecer no auditório... e, pasmem, para participar da mesa redonda! Certamente os organizadores não sabiam o que estavam fazendo, deviam ter cometido algum engano, mas eu é que não ia deixar passar essa oportunidade de falar da Quadrinhópole pra todo mundo.
Sentei lá ao lado do Will e do Marcos Venceslau (do Subterrâneo), do já conhecido Cadu, do José Sales (da SM Editora), e do Daniel Vardi (do Toninho do Diabo), que foi quem administrou a mesa e impediu que todos lá se matassem. Foi tudo muito rápido lá, mas foi muito legal poder discutir esse negócio de “quadrinho independente” com o público e com os colegas que também estão na mesma luta que a gente. Mais uma vez, agradeço aos organizadores pelo espaço.
Voltamos à nossa mesa da “Santa Ceia” e tornamos a vender, enquanto seguiam-se as palestras e a premiação dos artistas. Depois acertamos as contas com todos aqueles que haviam deixado seu material lá (demos o calote em todo mundo, claro) e, como era de se esperar, fomos torrar o dinheiro das vendas no bar (por isso, não estranhem a demora em sair a terceira edição).
Como eu iria voltar de ônibus Executivo no mesmo dia e já estava cansado, pensei comigo “vou tomar todas, que assim eu capoto no ônibus e vou dormindo de São Paulo até Curitiba”. Dito e feito. Depois da ida no bar com o pessoal do Garagem, do Cão e com a mítica figura do Daniel Esteves e sua respectiva, dirigi meu corpo até o Tietê para embarcar na jornada de volta. Partida: 23:59h.
Por volta das duas horas da manhã, eu num sono ferrado conforme o previsto, acordo com o súbito barulho de vidro sendo estilhaçado. Me sobressaltei, claro, enquanto meus pensamentos explodiam em minha mente: “Pronto, morri! Bateram na gente e estamos caindo um barranco! Vamos todos morrer! Ah, meu Deus, me tira dessa, por favor! Eu nem fiquei famoso ainda! Eu ainda tenho que assistir Homem-Aranha 3 e ganhar pelo menos um HQ Mix na minha vida! Me tira dessa que eu nunca mais falo mal dos ônibus convencionais!!!!”. Passado o susto inicial, percebi que não estávamos caindo num barranco, mas sim, diminuindo a velocidade para parar no acostamento. Acendi a luz sobre mim e perguntei se estavam todos bem, ao que a mulher atrás de mim (ela estava sentada ao fundo do ônibus, sendo eu, o penúltimo) gritou dizendo que a janela ao lado dela havia se quebrado. E realmente, havia cacos de vidro sobre ela e sua filha, mas que felizmente, não causaram nenhum arranhão. Aparentemente, um caminhão, que vinha na pista contrária à nossa, acabou fechando o ônibus e bateu na traseira, o que causou a quebra do vidro e de tudo mais no fundo do ônibus, impossibilitando nossa viagem de continuar. Depois disso, seguiu-se o transtorno de esperar a polícia chegar, nos escoltar até o posto rodoviário mais próximo e aguardar outro ônibus chegar para trocarmos de veículo, o que resultou num atraso de 3 horas na viagem.
Viram, meninos e meninas? Vida de quadrinhista independente não é fácil, não. Cada viagem para vender mais é uma nova aventura. Por isso, quando me perguntam o que eu aconselho para quem está começando, minha resposta é sempre a mesma: “Não comece. Você vai ter stress, vai ter prejuízo, vai correr risco de vida e se ousar ficar famoso, as grandes corporações irão esmagá-lo. Pegue esse dinheiro e gaste na zona, vá viajar, vá ao cinema com a namorada, aproveite a vida. Faça qualquer coisa, menos publicar quadrinho independente. Isso é para anormais que têm algum tipo de distúrbio psicótico em sua personalidade.”
Ah, eu sei que a batida do caminhão foi um atentado contra a minha vida, organizado em conjunto pelas grandes editoras, que sabem que nós, independentes, representamos ameaça. Vocês falharam!!! Hah, hah, hah, hah!!!
E mais uma vez, obrigado ao Cadu Simões e ao pai dele por me aguentarem!





















































Fotos por Tiago Souza

Show de Lançamento da Segunda Edição - Curitiba - 16/12/2006

O dia estava insuportável de tão quente. Com certeza, havia coisas melhores para fazer naquele sábado do dia 16 de Dezembro de 2006. Mesmo assim, a casa encheu para ver as 6 bandas que precederam a atração principal. Quando os Garotos Podres subiram no palco, a galera foi ao delírio. E mais ainda quando Mao, o vocalista da banda, pegou uma Quadrinhópole lá no palco e elogiou nosso trabalho antes de soltar a música da noite. Suas palavras foram mais ou menos assim:

"Estamos aqui hoje por causa desse pessoal aqui, da Quadrinhópole. Uns caras gente fina, que têm a moral de fazer uma publicação independente nesse país de MERDA e ainda fazer um negócio decente!"
O evento também valeu por concedermos entrevista ao programa Plug! Da RPC (Rede Globo Paranaense) e, claro, pela divulgação da revista. O pessoal saiu falando muito bem de tudo... do evento, do show e dos quadrinhos. Teve até gente que nos agradeceu por termos trazido os Garotos de volta a Curitiba!
Nessas horas que vale todo nosso suor. É por isso que, daqui pra frente, temos a idéia de fazer interações com todo tipo de arte. A próxima "vítima" é o teatro... aguardem e verão!Um relato melhor do show em si pode ser conferido aqui, de onde também foram tiradas as fotos:









































11ª Fest Comix - Colégio Marista em São Paulo - 02 a 05/11/2006

1º Dia - quinta-feira.
Havíamos partido de Curitiba às 23:15h, somente eu e meu sócio, André Caliman. Como se sabe, em ônibus convencional, não se dorme, se cochila. Por isso, chegamos moídos em São Paulo e ainda corremos atrás de táxi para nos levar a nosso destino, a casa da tia do André, Eva (que por sinal, é gente finíssima). O motorista do táxi contou que havia ido para São Paulo há 30 anos para passear. Estava passeando até hoje.



Acordamos a Eva antes das 5 da manhã. Obviamente que a coitada não sabia no que estava se metendo quando concordou em hospedar dois nerds malditos. Chegamos, tomamos café e já saímos para o Colégio Marista, onde se daria a Fest Comix. Descobrimos que uma camiseta com o nome da nossa revista abre portas. Literalmente. Assistimos à preparação inicial dos caras da Comix e acertamos alguns outros detalhes, depois fomos para a entrada começar a vender. Quinta, para a nossa sorte (nunca pensei que fosse dizer isso um dia) foi o dia que teve a maior fila. Às 9 da manhã já haviam nerds desgraçados esperando para entrar. Vendemos alguns e, enquanto eu descobria que o pessoal não saía pelo mesmo lugar por onde entravam, o André voltou pra casa para pegar uma mesinha providencial. Ficamos na saída o resto do dia, ora debaixo de chuva, ora debaixo de Sol. Encontramos o Cadu Simões, do Garagem Hermética, e fizemos uma parceria com o cara. Gente fina, também.

Na hora do almoço, um tio do André apareceu por lá com um lanche, o qual apreciamos desesperadamente. Não muito tempo depois veio o pessoal da Quadrim: Márcio Sampayo, Raul Kuk, Ana Carolina, Luís Garavello, André Faccas, Ricardo Sorvillo e esposa, Leandro Laurentino. Tive de forçá-los a comprar a revista, sob ameaça de verem mais fics minhas publicadas lá no site deles.

Mais para o final da tarde, caiu uma chuva torrencial e nos abrigamos debaixo do toldo de uma banca na esquina. Continuamos vendendo! Depois disso, foi a nossa vez de entrar na Fest e torrar nosso dinheiro nerd. Encontramos o Marko Ajdaric do Neorama, mas quando fomos conversar com ele, o bicho tinha se teleportado.

Passagem do dia:

- Ô, cara, chega aí pra dar uma olhada nas nossas revistas!
-
Tem Lobo aí?

- Não, tem coisa melhor!!!

- Impossível!!! – Respondeu o indivíduo, já correndo para fugir da chuva.




































































































































2º Dia - sexta-feira


Uma boa noite de sono faz milagres. Revigorados, saímos dispostos a superar as vendas do dia anterior. Na metade do caminho, lembramos da mesinha para colocar as revistas. O André voltou para pegar e eu segui em frente para não perdermos tempo. Não adiantou muito, já que a fila estava consideravelmente menor. Sexta foi o dia de menor movimento, já que era dia útil. Ainda assim, vendemos proporcionalmente mais na fila do que no dia anterior. De tarde, meu grande amigo Juliano, também da Quadrim, apareceu com a esposa, mas infelizmente estavam com pressa e não pudemos conversar muito.


Não muito depois, saímos para almoçar e aproveitamos que as vendas estavam baixas para resolver outras coisas. Passamos na Comix para deixar algumas revistas lá, depois fomos para outro compromisso. Em seguida fomos ao Ibirapuera, onde estava tendo a bienal de arte, por sinal, bem interessante. Voltamos a pé até a Av. Paulista (a essa altura, já não sentíamos mais as próprias pernas) e paramos num bar para revigorarmos nossas forças. Chegamos em casa e capotamos.


Passagem do dia:


- Podem ir lá que está cheio de mulherada gostosa. E é bom que elas comem a nossa pizza! – (Dita por um pizzaiolo).












































































































3º Dia – Sábado



Finalmente, o tempo abriu, prenunciando o dia de melhores vendas. Na fila e até metade da manhã, não rendeu muito, mas depois, foi melhorando gradualmente. Reencontramos o Cadu e retomamos a parceria com o Garagem. Nossa primeira venda, estávamos os três descansando, sentados no meio fio, de costas para a mesinha com as revistas, quando um casal passou para comprá-las! Otimistas, nos levantamos e nos pusemos a trabalhar. Até na janela do ônibus ofereci a revista!
T
ambém fizemos parceria com os três fanzineiros do “Fio Fó” – Caio, André e Rodrigo – e ficamos todos lá, vendendo do jeito que dava. Alguns dos fanzineiros começaram a apelar e a fazer streap tease no meio da calçada. Nós já começamos a dizer que nossa revista tinha um conto pornográfico inédito escrito pelo Stan Lee, ou que era mangá. Também nos ocorreu dizer que era um projeto novo da Marvel com material inédito do Jack Kirby, mas acho que aí já era apelação demais.
Às 16 horas, tivemos de entrar porque tínhamos uma entrevista marcada com o Pedro Bahia, entre a mesa redonda com os artistas nacionais e a palestra do Moon e do Bá. O André apavorou lá na mesa redonda dos caras falando do quadrinho nacional e acabamos vendendo revistas lá dentro do auditório! A entrevista acabou não acontecendo devido à falta de tempo, mas o Pedro, que é outro cara super gente boa, acabou anunciando nossa revista lá no microfone e no telão.
Encontramos o Pablo Casado, um dos colaboradores da revista, lá do Alagoas, e o Zé Oliboni, do Pop Balões, mas infelizmente os dois tiveram de ir embora. Também batemos um papo rápido com o Ivan Reis, que é outro cara gente finíssima (Não, não tem cara só gente boa nesse ramo, tem muito filho da puta, mas demos sorte dessa vez). Logo em seguida, retornamos para a saída para retomar as vendas. Qual não foi nossa surpresa quando vimos gente procurando por nós!!! Animados, vendemos mais um tanto e o Cadu quase esgotou o Garagem Hermética.
Ficamos até o último curió sair de lá. O mais legal foi fazer contatos com o pessoal do ramo. Depois disso, veio a parte mais interessante: fomos pro bar encher a cara junto com o pessoal de quadrinhos! Quer coisa melhor que isso? Estavam presentes: eu, o André, o Cadu, o Luís e a Ana (da Quadrim), o Bira Dantas (provavelmente o cara mais gente boa de toda a Fest Comix), o Daniel Esteves e um casal de amigos do Daniel, além dos três malucos do Fio Fó.
Bebemos ao som das gaitas do Bira e do Caio e das fofocas dos quadrinistas. Eu e a Ana apavoramos os caras do Fio Fó no truco (apesar de eu não me conformar com esse jeito paulista de jogar, colocando umas frescuras no jogo) e ainda vendi uma revista no bar!Passagem do dia:



- Eu queria perguntar pro fã aí que disse que sente orgulho de ver nossos artistas lá fora, se ele sentiria o mesmo orgulho se visse o trabalho deles sendo publicado aqui dentro! – André Caliman.





























4º Dia – Domingo


“E no quarto dia, eles descansaram”.



Sim. Depois de três dias de trabalho intenso e uma ressaca do inferno (esta última diz mais respeito ao André do que a mim, diga-se de passagem), tiramos o dia para descansar. De manhã demos um mergulho na piscina que refrescou até a alma. Não ficamos muito, pois logo tínhamos que almoçar. Reencontramos o Luís e a Ana e almoçamos com as duas tias do André, depois seguimos para a rodoviária. Nos demos ao “luxo” de voltarmos de Executivo, com o gosto de missão cumprida na garganta. E o ônibus era bom mesmo: quando tínhamos frio, caía casaco do bagageiro, quando tínhamos fome, caída comida! Mó legal!



Vendemos de tudo que é jeito:



- Debaixo de Sol escaldante;



- Debaixo de Chuva torrencial;



- De costas para as revistas;



- No bar;



- No auditório, quando da proclamação apaixonada do André;



- Na rodoviária, quando da volta;



Outras Passagens:



- Compra aí nossa revista, é melhor que esse Marvel Millenium aí que você está levando!



- Então... a gente é lá de Curitiba. Sei que você quase não percebeu pelo sotaque...



- Quadrinho independente, cara. Dá uma olhada. Ô, meu, pára aí, dá uma olhada! Dá uma olhada, cara, é oitenta centavos! Quarenta! É de graça! EU PAGO PRA VOCÊ LEVAR!!!



(Duas gostosas se aproximando)



- Ô, Leonardo, oferece a revista aí pra essas duas!



- ... – (Vendo as duas passarem).



- ?!



- Oi. – (Depois que elas passaram).



(Diálogo com os gêmeos)



- E aí, querem comprar nossa revista, incentivar o quadrinho nacional?



- Ah, vocês que são os caras da Quadrinhópole? Legal. Vocês já compraram o nosso?



- ...


















 
BlogBlogs.Com.Br