quinta-feira, 30 de abril de 2009

Do Inferno

Publicada na forma de 4 volumes pela Via Lettera em 2000, esta é considerada, por muitos, a melhor obra de Alan Moore, embora seja difícil eleger uma obra que se destaque das demais, em se tratando deste autor que é tido como um dos maiores gênios dos quadrinhos.
Para quem ainda não conhece, trata-se de um drama que tem por objetivo narrar a verdadeira (ou, pelo menos, a mais verdadeira possível) história de Jack, o Estripador.
Moore nutriu-se de praticamente toda a literatura disponível sobre o Estripador para tecer sua obra, o que resultou num épico riquíssimo em detalhes, tanto visual quanto factualmente, e é isso que faz desta uma obra-prima. Para quem não gosta de spoilers, recomendo fortemente que pare a leitura por aqui.




Moore baseia-se, principalmente, no livro "Jack, the Ripper: The Final Solution", de Stephen Knight. A teoria que o permeia é a seguinte: o Príncipe Albert havia se envolvido com uma plebéia chamada Annie Crook, com quem acabara, em segredo, tendo um filho. Para impedir a destruição do Império Britânico, Crook foi "removida" e internada numa clínica psiquiátrica, mas sua amiga, Marie Kelly, sabia do terrível segredo.
Kelly era uma das muitas prostituas na região de Westminster, que eram frequentemente chantageadas pela Gangue Old Nichol. Para conseguir o dinheiro que a gangue queria e salvar suas amigas e a si mesma, Kelly teria chantageado a coroa, querendo ser paga pelo seu silêncio.
Mas o silêncio delas seria conseguido graças ao médico real, Sir William Gull. Este cavalheiro, ao mesmo tempo em que era um competente cirurgião e um dedicado maçom, tinha seus próprios planos para acabar com as prostituas. Ele realizaria um meticuloso ritual, acreditando que estaria agindo em nome de Deus.
Neste primeiro volume, portanto, somos apresentados ao drama envolvendo "Príncipe Eddy", seu amigo Walter Sickert, Annie, Mary Kelly e outros personagens relacionados. Também acompanhamos toda a trajetória de Gull, desde sua infância até o momento em que foi incumbido de silenciar Annie Crook.
Em seguida, acompanhamos a vida das prostituas, a chantagem de Mary Kelly, um extenso passeio de charrete por Londres, em que Gull visita todos os pontos simbólicos da cidade para traçar seu plano, e finalmente, a morte da primeira delas, Polly Nichols.



No segundo volume, o inspetor Fred Abberline é designado para o caso, e acompanhamos em detalhes o que aconteceu após a morte da primeira vítima. Na sequência, acompanhamos as horas finais de Annie Chapman e as subsequentes investigações, que não levam a nada, já que a verdade está sendo acobertada pelos companheiros maçônicos de Gull, embora muito a contragosto.
Também compreendemos como foi que Kate Eddowes acabou se tornando uma vítima, já que ela não era uma das 4 que inicialmente seriam alvo de Gull. Na mesma noite em que o bom doutor teria matado Liz Stride, Eddowes regressava a Londres, julgando conhecer a real identidade do Estripador. No entando, ela acabou presa devido à bebedeira e na delegacia, deu seu nome como sendo de Mary Jane Kelly. Informado que a última prostituta seria solta à 1 hora, Gull teve que deixar o "serviço" incompleto e correr atrás daquela que ele julgava ser Kelly, embora mais tarde descobrisse seu engano.
A verdadeira, entretanto, conseguira o dinheiro para pagar a gangue de outra forma, mas ao pagá-los, descobriria que não eram eles quem estavam atacando suas amigas.



Neste terceiro volume, Kelly seria visitada por um culpado Príncipe Eddy, que lhe avisaria do perigo que estava correndo, confirmando suas suspeitas. Essa seria a explicação de Moore do porquê de Mary Kelly estar tão obcecada pelo caso do Estripador nos últimos dias antes de sua morte.
Logo, Gull descobriria seu engano e poderia completar sua tarefa. É aqui também que ficamos sabendo do porquê do título da obra: Gull escreve uma carta à polícia, colocando como endereço "Do Inferno". Esta teria sido a única carta enviada à polícia que realmente tivesse provindo do verdadeiro "Jack".
Acompanhamos em detalhes a morte de Mary Kelly, tendo um capítulo inteiro só para a última morte. E ficamos sabendo da história do Sr. Druitt, que acabou se tornando o bode expiatório da história toda.



Por fim, o derradeiro volume nos mostra o encontro de um suposto sensitivo, o "Sr. Lees", com o Inspetor Abberline, e o primeiro acaba levando o segundo até a porta de Gull, supostamente "sendo guiado por visões". Gull teria confessado o crime aos dois, dias antes de sua suposta morte. Na verdade, o livro de Knight afirma que a morte de Gull seria forjada e este passaria seus últimos dias num asilo, sob outro nome.
Abberline e Lees seriam comprados pelo silêncio de ambos, e no último capítulo, acompanhamos a morte de Gull e sua jornada, antes da alma desaparecer, em diferentes momentos do tempo relacionados a eventos "místicos", confirmando, de certa forma, a teoria sobre a quarta dimensão de que ele havia ouvido falar anos atrás.

Todos os volumes vêm com apêndices escritos pelo próprio Moore, que explica as cenas de acordo com a extensa pesquisa elaborada. Desta forma, ele procura relacionar os fatos tidos como verídicos ou semi-verídicos, preenchendo os muitos "buracos" entre eles com ficção, embora sempre pautada em uma beirada da realidade.
O último volume traz ainda um apêndice adicional que procura relacionar as muitas teorias sobre os assassinatos de Whitechapel, chamado "A dança dos apanhadores de gaivota". Isso, somando-se ao drama narrado em quadrinhos, acaba se tornando uma excelente coletânea de praticamente toda a ciência que se desenvolveu em torno dessa figura quase mística que é Jack, o Estripador.



Em 2001, foi lançado o filme que adaptava esta obra de Moore, tendo Johnny Deep no papel principal. Obviamente, Hollywood modificou a obra de cabo a rabo, para ser consumida pelo "povão". Ainda assim, o filme tem suas qualidades.
A trama central permanece a mesma, embora a identidade do assassino permaneça desconhecida até os momentos finais do filme. A título de simplificação, todas as vítimas aqui são amigas, incluindo Kate Eddowes, e até mesmo Martha Tabram, que embora não apareça nos quadrinhos, é mencionada nas referências como uma das prostitutas que supostamente teria sido a primeira vítima do Estripador. Essa teoria cairia por terra ao analisar o M.O. do assassinato completamente diferente das demais. Isso é explicado no filme.
As personagens de Abberline e Lees são fundidas, e o inspetor ganha um ar sobrenatural, a fim de deixar o filme mais interessante para o "povão". Mary Kelly, mocinha do filme, não por acaso é a mais bonita das vítimas, embora ela acabe não se tornando uma vítima aqui. Sim, pois ao que Moore tinha deixado muito subentendido de forma sutilíssima nos quadrinhos, aqui é escancarado para os especadores entenderem que Kelly pode ter escapado de ser executada, e outra pessoa teria morrido em seu lugar.

Como eu disse, o filme tem suas qualidades, mas fica muito aquém da obra original, que é leitura obrigatória para qualquer um que seja fã da nona arte.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas

Título estranho, não? Para quem não conhece, trata-se de um livro escrito por Robert M. Pirsing em 1974 e continua sendo vendido até hoje. As opiniões sobre ele se dividem, mas o que me deixou curioso e me levou a lê-lo foram duas coisas. Primeiro, numa aula de mestrado, um professor de Metodologia Científica indicou esse livro. E segundo, que um ou dois dias depois, Yorick (o protagonista da série Y - The Last Man, que eu estava lendo na época) afirmou que esse era seu livro de cabeceira. Decidi ver qual era a do livro, então, e irei compartilhar minha opinião com quem tiver interesse...

Pois bem... a história não tem nada demais: é sobre um homem e seu filho, que estão de férias e viajam de motocicleta junto com um casal de amigos e, quando fazem as paradas, filosofam sobre a vida e tudo o mais. Não parece ser grandes coisas, certo?

É fácil ver porque as opiniões sobre ele se dividem. Não se trata de um livro comum. É até meio difícil classificá-lo. Não é um livro didático, embora tenha muito sobre metodologia científica, filosofia e a ciência como um todo. Também não é um livro de auto-ajuda, mas muita coisa do que o protagonista diz poderia ser encarada como conselhos que você poderia seguir para a sua vida.

É um livro de aventura, então? Também não, embora tenha um quê de suspense. Não da viagem em si, mas o fato é que (vou soltar um spoiler, mas isso não influencia em nada) o protagonista tinha uma outra personalidade antigamente, a quem ele chama de Fedro.

Enquanto viaja, nosso protagonista (cujo nome real nunca é revelado) fala sobre Fedro, e sua busca incessável sobre a verdade. Busca esta que o levou a enfrentar a Universidade, os alunos e a própria sanidade mental. Sabemos que Fedro enlouqueceu e que dele emergiu a nova personalidade do protagonista. Isso nos é dito no primeiro quarto do livro.

Mas não fica claro o que levou Fedro à loucura. Essa jornada é contada pouco a pouco, na mente do protagonista, enquanto ele está sobre as duas rodas e não pode conversar com ninguém além de si mesmo. Para contar essa história, entretanto, ele precisa entrar em vários detalhes que foram pesquisados por Fedro. E é isso que torna a leitura interessante, especialmente para quem tem um "pé" no lado acadêmico de sua profissão, ou de quem é adepto à Ciência no geral.

Para quem não é, é fácil entender porque a leitura se torna chata. Não há grandes cenas de ação, ou de suspense, e nem um grande conflito a ser resolvido. Você não sabe para onde a história vai rumar. O máximo que pode atrair a atenção desse tipo de leitura é a jornada de Fredo, que lembra um pouco o que acontece com John Nash em "Uma Mente Brilhante".

Mas fica a dúvida se isso é o principal mote do livro, ou se é apenas pano de fundo para que o autor traga à tona suas próprias idéias sobre como é feita Ciência hoje em dia. E como poderia ter sido, se os sofistas não tivessem sido derrotados séculos atrás.

O protagonista fala sobre muita coisa, ficando difícil até listar todos os assuntos abordados no livro, depois volta em Fedro e à sua luta, que começa basicamente por causa da busca do mesmo pela Qualidade. Esta coisa que todo mundo sabe o que é, mas é tão difícil de ser definida. Ele pergunta a seus alunos, pesquisa, vai atrás, forma teorias e mais teorias, revira a Ciência de cabeça para baixo. É essa jornada que acompanhamos... e por isso, volta a questão: qual é o foco da história? A jornada de Fedro? As idéias por trás dela? A viagem de motocicleta? Ou será que a viagem da motocicleta é apenas uma metáfora por trás da jornada de Fedro, e esta jornada é que evoca idéias poderosas que nos fazem pensar sobre... bem, sobre tudo! Será que é isso? Eu diria que sim... mas essa é só minha opinião... com certeza, se você for ler o livro, terá outra completamente diferente.

Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas causa esse efeito nas pessoas. Faz você pensar de verdade.

Ás Inimigo



Já faz algum tempo que a (agora extinta) Opera Graphica publicou Ás Inimigo, volume que reúne uma série de histórias desse inusitado personagem criado por Robert Kanigher e desenhado pelo mestre Joe Kubert. E te digo, quer ler alguma coisa diferente? É isso aqui que você está procurando.

As primeiras histórias seguem quase sempre a mesma fórmula... o protagonista é o melhor piloto da Alemanha em plena Primeira Guerra Mundial, temido inclusive por seus colegas, que o consideram uma verdadeira máquina assassina. Seu único amigo é um Lobo Negro e selvagem que ele encontra quando se aventura, sozinha, floresta adentro para caçar.

Mas logo surgem inimigos de peso que rivalizam com a habilidade de Von Hammer, e as histórias vão ficando cada vez mais interessantes. Mas a grande sacada são os detalhes inerentes às batalhas áreas... as manobras, os tipos de aviões e de metralhadoras utilizados, a experiência de vôo e tudo mais. A impressão que se tem é de estar vendo um filme... e com essa onda de adptações de HQs vazias em Hollywood, eles deviam dar uma olhada nessa obra fantástica. Com certeza daria um filme de tirar o fôlego! Dá até pra pensar na trilha sonora, como "Tailgunner" ou "Aces High", do Iron Maiden, heh, heh, heh...

A edição traz ainda uma breve biografia de Kubert e um relato do próprio explicando como surgiu o Ás Inimigo. Um excelente escapismo para quem está cheio de ler as mesmas histórias.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Presságio


Sábado fui conhecer o tal do Shopping São José e, já que estava de bobeira por lá, resolvi assistir o novo filme do Nicholas Cage. E não é que é bacana?
Já vou soltar um spoilier, mas que não tira a graça da história: esse é o primeiro filme sobre o fim do mundo onde o mundo realmente acaba! Heheheeheh.
Bom, a história é a seguinte: nos anos 50, uma menina que ouvia sussuros na mente rabisca um monte de números num papel e coloca o papel, junto com outros desenhos da turma, numa cápsula do tempo que seria aberta nos dias de hoje.
O papel acaba caindo na mão de um astrofísico, que descobre que os números são, na verdade, datas de catástrofes que aconteceram nos últimos 50 anos. E faltam ainda três delas sendo que a última, é a total destruição da humanidade.
Tá, mas e daí? De que adianta saber das previsões se não há nada que se possa fazer? É aí, na minha opinião, que reside a graça do filme. E vou deixar vocês assistirem pra descobrir.
Mas vale dizer que os efeitos são muito bem feitos, a história é bem construída e tem muito drama, ação e diálogos legais na dose certa. Pra quem não esperava lá grandes coisas... diversão garantida.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Conheçam o Coelho Nero!


Salve, pessoal! Hoje, vou divulgar o trabalho de um amigo meu, o Omar Vinole, que já é conhecido por suas parcerias com o LAUDO, lá do Quarto Mundo.

O Omar criou o COELHO NERO, um personagem meio maluco que será publicado nesse blog:




E não, não tem nada a ver com o coelhinho da páscoa! Cliquem logo aí e conheçam a figura!


domingo, 5 de abril de 2009

Nerd Indica 8

Já faz quase um mês que saiu o último Nerd Indica, mas só agora que eu divulgo por aqui (Mal ae, Aninha). O entrevistado da vez é outro grande amigo meu, Jozz, que incluse nos hospedou (Eu e o Plínio) em nossa última ida para sampa, conforme vocês já conferiram no relato sobre o último AA (Ângelo Agostini, porra!).
Bom, sem mais delongas, cliquem logo aí e confiram a bagaça:

 
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